As primeiras iniciativas de organização homossexual no Brasil surgiram no final dos anos 60, onde o seu intuito era de promover a socialização homossexual masculina. Então, só no final dos anos 70 é que surge o Movimento Homossexual Brasileiro (MHB), que aliado ao movimento feminista e ao movimento negro, trazia propostas de mudanças para a sociedade, principalmente as relacionados ao gênero e sexualidade. Neste período, o movimento se mostra com um caráter anti-autoritário, em contrapartida a ditadura, e tem a aspiração de reivindicar direitos universais e civis plenos, voltados para a sociedade de uma maneira mais geral. Este período é marcado pela afirmação de um projeto de politização da homossexualidade, se contrapondo às alternativas disponíveis no "gueto" e em associações não politizadas Em 1978, é fundado o jornal Lampião da Esquina, que é considerado o primeiro jornal nacional a tratar sobre questões homossexuais. Editado no Rio de Janeiro por jornalistas, intelectuais e artistas homossexuais também é visto por alguns pesquisadores como marco zero do movimento homossexual no país. O jornal encerra suas atividades em julho de 1981. Também em 1978, em São Paulo, é fundado o primeiro grupo organizado composto exclusivamente por homens, e com o nome provisório de Núcleo de Ação pelos Direitos dos Homossexuais. Depois, mediante um convite para participar de uma semana de debates sobre movimentos de emancipação de grupos discriminados, o grupo foi rebatizado de SOMOS – Grupo de Afirmação Homossexual. Suas atividades tinham como foco principal reuniões com o compartilhamento das experiências pessoais. Após este debate, novos integrantes entram ao SOMOS, inclusive mulheres e dois novos grupos se formam: o Eros e o Libertos. O evento, além de trazer novos grupos, fomentou o surgimento de novas iniciativas. No final de 1979, foi realizado no Rio de Janeiro, o 1º Encontro de Homossexuais Militantes com a presença de nove grupos. Em 1980, de 4 a 6 de abril, na cidade de São Paulo, aconteceu o 1º Encontro de Grupos Homossexuais Organizados (EGHO) que foi fechado para grupos homossexuais e seus convidados, e o 1º Encontro Brasileiro de Homossexuais (EBHO). Em 1980, surge o primeiro grupo exclusivamente lésbico a partir de uma repartição do SOMOS. A partir de 1980 também começa a atuação do Grupo Gay da Bahia (GGB), que vai contribuir com o ativismo no nordeste, e que vai coordenar entre 1981 e 1985 uma campanha nacional para retirar a homossexualidade do código de doenças, ou seja, a luta pela despatologização. Em 1983, problemas financeiros e dificuldades em conseguir novos membros levam o grupo SOMOS a abandonar sua sede e se dissolver. O HIV e suas influências Nos anos 80, houve uma redução na quantidade de grupos homossexuais existentes. Isso pode ser justificado, em parte, pelo surgimento do HIV/Aids, e como a doença afetou as propostas de liberação sexual, também pelo fim do jornal Lampião da Esquina, que deixou os grupos carentes de um meio de comunicação que fazia circular suas ideias e divulgava as atividades pelo país, entre outros fatores. Muitas lideranças se voltaram para a luta contra a AIDS buscando as respostas para a sociedade e os militantes foram os primeiros responsáveis pelas mobilizações contra a epidemia, tanto prestando assistência à comunidade, quanto formulando demandar para o poder público. Porém, a associação negativa entre a AIDS e a homossexualidade – também fomentada pela mídia - levou grupos a optarem por não trabalhar prioritariamente com essa luta. Neste momento, desvincular essa imagem “marginal” passa a ser uma forte característica do movimento. Mas, o HIV pode ser o responsável por trazer maior visibilidade para a comunidade homossexual, que começou a ser discutida no âmbito federal apenas quando explodem as questões da epidemia na sociedade. Quando havia um temor da sociedade heterossexual, por exemplo, de ser infectada pelo vírus, e quando a mídia cada vez mais explorava e associava o assunto à homossexualidade. O governo, então, volta suas atenções para a comunidade, mas com um olhar voltado para a saúde. Tanto que a primeira secretaria do governo a criar políticas com intuito de conter a epidemia foi o Ministério da Saúde, que começa a desenvolver uma série de estratégias no controle da doença Em 1992 foi firmado um acordo entre o Brasil e o Banco Mundial para o Projeto de Controle da AIDS e DST, que ficou conhecido como AIDS I, que trazia a participação da sociedade civil na implantação das atividades. A partir desse ano, a quantidade de grupos presentes aos encontros nacionais volta a crescer, e em 1993, acontece o 7º Encontro Brasileiro de Lésbicas e Homossexuais, que marca a inclusão de outro grupo a não ser o homossexual no movimento. A partir de 1995, os encontros passaram a contar com financiamentos de programas estatais de combate a DST/AIDS e a ocorrer paralelamente aos encontros nacionais de gays e lésbicas que trabalham com AIDS. Enquanto isso, dois termos eram utilizados para nomear homossexuais: gay e "entendido (a)", um termo “abrasileirado” do termo gay, que predominava nos movimentos dos Estados Unidos. Com a exceção do Grupo Gay da Bahia os homossexuais brasileiros não aceitaram os termos "gay" e "entendido". Apenas no 8º Encontro Brasileiro de Gays e Lésbicas e o 1º Encontro Brasileiro de Gays Lébicas que Trabalham com AIDS, realizado em 1995, que esta nomenclatura foi aceita. Então, a partir desta data o Movimento passa a ter a sigla MGL: Movimento de Gays e Lésbicas. Neste mesmo evento, houve a participação de organizações de travestis que conseguiram a aprovação da suas categoria no nome dos eventos seguintes. Essa também foi a primeira vez que o movimento nacional teve um encontro financiado com recursos do Ministério da Saúde, pois reservava uma parte para a discussão de questões ligadas ao HIV/AIDS. Este encontro reuniu 84 grupos, em Curitiba (PR). Portanto, a questão da AIDS apareceu tanto como um fator de desmobilização quanto de fortalecimento do movimento, pois estimulou um debate social acerca da sexualidade e homossexualidade, aumentando a visibilidade do grupo. REVER ESSE FINAL A evolução das siglas Hoje a sigla LGBT representa as Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais e Travestis. Porém, essa sigla passou por um processo evolutivo que está muito ligado com a própria história da criação do movimento. Durante a conferência de 1995, surgiu a sigla MGL (Movimento de Gays e Lésbicas) e entrelaçado a todo esse processo de representação das identidades de gênero, surge em meados dos anos 90 a sigla GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes). A origem da sigla está associada ao nome de André Fischer, que escreveu a coluna GLS da Revista da Folha de 1996 a 2006 e que também é associado ao movimento idealizado por ele, o Mundo Mix Brasil, que consistia na comercialização de produtos direcionados ao público GLS. Porém, diferente do Movimento de Gays e Lésbicas, o GLS é voltada o segmento de mercado e não para a luta política. E essa critica ficava ainda mais forte, pois o Simpatizante, escolhido por muitas pessoas para “se definir”, descaracterizava a luta pela visibilidade social. Outra sigla também é encontrada sob a mesma condição, a HSH, Homens que fazem Sexo com Homens, utilizada inicialmente pelas agências estatais nas atuações políticas no campo da saúde. Porém, a sigla pode remeter a ideia da homossexualidade ser apenas relacionada a prática do ato sexual, eliminando as questões afetivas relacionadas. Em 1998 acontece a padronização da sigla do movimento homossexual brasileiro com o internacional, o que modifica a sigla para GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), sendo que o T acopla os travestis e transexuais. Por fim, em 2008, o termo GLBT passa para LGBT. A alteração foi aprovada na 1ª Conferência Nacional GLBT realizada em Brasília, e a mudança de nomenclatura foi realizada para valorizar as lésbicas no contexto da diversidade sexual e também de aproximar o termo brasileiro do termo predominante internacionalmente. Pleitos e pedidos Foi em abril desse ano que o mundo presenciou o nascimento de Caitlyn Jenner. Programas de televisão, revistas, jornais e as redes sociais acompanharam o assunto com ávido interesse. Ao contrário, porém, do nascimento do bebê real, filha dos duques de Cambridge, William e Kate, e neta da rainha Elizabeth II, a vinda de Caitlyn ao mundo representa algo maior que um mero espetáculo midiático para a venda de edições e contagem de cliques. A chegada dela marca o apogeu de uma nova era de possibilidades quando pensamos em conceitos intimamente ligados à natureza humana como os de identificação de gênero. O ex-atleta olímpico estadunidense Bruce Jenner, considerado um herói nacional pela sua vitória esportiva na época da Guerra Fria entre os Estados Unidos da América e a União Soviética, venceu a medalha de ouro de decatlo nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976. Reconhecido dentro das quadras e das raias, Bruce nunca se sentiu legitimado fora delas. Pai de seis filhos e ex-marido de Kris Jenner, a matriarca da família Kardashian, o atleta se privou durante boa parte da vida de externar sua tão adiada identidade feminina. Durante uma tocante entrevista para a jornalista Diane Sawyer, Bruce Jenner quebrou o silêncio que há algum tempo alimentava, além de especulações e fofocas, um incômodo pessoal crescente. “Sim, para todos os efeitos, eu sou uma mulher”, declarou orgulhosa no ponto alto da conversa que durou mais de duas horas e foi televisionada pela ABC, um dos maiores canais da TV norte-americana. A curta, mas significativa, frase foi o estopim para uma avalanche de posts, comentários e compartilhamentos nas redes sociais que eram reciprocamente alimentadas com os materiais produzidos por importantes veículos de comunicação. O herói nacional acabava de se revelar uma grande heroína. Novamente usando a mídia, que sempre o acompanhou, como plataforma para validar sua vivência como uma mulher transexual, Bruce Jenner estampou a edição de junho da revista Vanity Fair transformado. A chamada “Call Me Caitlyn” não deixa dúvidas sobre as intenções de reconhecimento da recém-nascida Caitlyn Jenner. Uma capa de revista também foi o divisor de águas para a atriz Laverne Cox, a primeira mulher transexual a ser o rosto da conceituada Time. Laverne é uma das estrelas do seriado Orange Is The New Black, produzido pelo serviço de streaming Netflix. Advogada, produtora de televisão e ativista dos direitos das pessoas trans, Cox foi a primeira mulher transexual indicada para a categoria de Melhor Atriz de Comédia Convidada no Emmy Awards, a maior premiação da televisão estadunidense. Ao lado da chamada “The transgender tipping point – America’s next civil rights frontier”, Laverne Cox serve como rosto para um novo momento das lutas ligadas as questões de gênero. Ela ilustra uma parcela da população transgênera do mundo que cansou de viver na penumbra e decidiu conquistar o direito de ser o que se é. Enquanto a capa de revista estampando o rosto de Caitlyn Jenner exclama “Nós existimos!”, a de Laverne demanda “Queremos igualdade!”. Ambas não passam despercebidas nas bancas de jornal ao colocarem em xeque noções arcaicas difundidas sobre o que é gênero, como ele é construído e como é vivenciado. Quem por ventura decidir abrir alguma dessas revistas, perceberá de imediato novos entendimentos sobre as variações das identidades de gênero e o espectro das sexualidades humanas. “O que é ser homem?”, “O que é ser mulher?” serão, muito provavelmente, algumas das perguntas que surgirão na cabeça do leitor. Seguidas de outros questionamentos como “É possível ser homem e mulher?”, “É possível ser homem e não o sê-lo?”. Para estes questionamentos, existe somente uma resposta: identificação. A pergunta passa então a ser “Como eu me identifico?”. A resposta cabe unicamente ao sujeito e dependerá de uma série de fatores que ainda não estão completamente elucidados pelas ciências e podem ter relação com o ambiente social, os níveis hormonais e para alguns com a genética. Em tese, os pleitos de pessoas transgêneras estão inclusos na pauta do movimento que une pessoas de orientações sexuais minoritárias e manifestações de identidades de gênero divergentes do sexo designado no nascimento, conhecido no Brasil como movimento LGBT, sigla que abrange lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Tópicos como a criminalização da homofobia, adoção homoparental e facilidade de acesso às terapias hormonais são algumas das bandeiras levantadas pelo grupo. Para algumas pessoas, contudo, na prática, a mobilização por direitos possui alguns sintomas que precisam de tratamento urgente. A programadora e transfeminista, Daniela Andrade não se vê inclusa no movimento. Para ela, da maneira como está estabelecida hoje, a luta LGBT no Brasil evidencia apenas as súplicas dos homens homossexuais, o G da sigla. Ela é ainda mais específica ao apontar que a evidência é majoritariamente concebida à homens gays, cisgêneros, que se identificam com o gênero designado ao nascer, brancos e de classe média. Deixando as preocupações de homens gays afeminados, negros e pobres de lado. O mesmo, segundo ela, acontece com as pautas de mulheres lésbicas, bissexuais e pessoas trans. FALA DANIELA Para ela, essa sintomática é reflexo de uma sociedade misógina, machista, racista e transfóbica. Daniela foi uma das responsáveis pela alteração do tema da Parada da Diversidade de São Paulo em 2014. Indignada com a falta de visibilidade das pessoas trans dentro do próprio movimento LGBT, a ativista criou uma petição online que obteve a assinatura de 6,5 mil internautas apoiando que o foco da parada fosse a aprovação do Projeto de Lei de Identidade de Gênero João W. Nery. FALA DANIELA João Nery foi o primeiro homem transexual a receber atenção da mídia brasileira. Psicólogo e escritor, João dá nome a lei que pretende assegurar alguns direitos para a população transgênera como a mudança gratuita de registro e o requerimento de intervenções cirúrgicas de adequação genital sem a exigência de análises ou tratamentos psicológicos. No Brasil, não existem dados sobre o número de pessoas transgêneras. A falta de conhecimento dificulta a implantação de políticas públicas especificas para esta população. As estatísticas envolvendo indivíduos LGBT, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneras, no país são estarrecedoras. O levantamento do Grupo Gay da Bahia, GGB, revelou que em 2013 foram contabilizados 312 assassinatos, mortes e suicídios de gays, lésbicas e transexuais brasileiros vítimas de homo e transfobia. A mesma invisibilidade sugerida por Daniela acontece com outros grupos, como é o caso das pessoas pansexuais. É denominado pansexual, o sujeito que sente atração romântica, sexual ou emocional independentemente da identidade de gênero do outro. Inclui, portanto, pessoas que não se encaixam na binária de gênero macho/fêmea. FALA PANSEXUAL Durante a 1ª Conferência Nacional GLBT realizada em Brasília no período de 5 e 8 de junho de 2008, o movimento decidiu alterar sua identidade para LGBT. A medida tinha a intenção de dar visibilidade e priorizar as temáticas lésbicas dentro da organização. Apesar de bem intencionada, a mudança ainda não conseguiu acabar com o apagamento lésbico. Entre as principais queixas desse grupo está a invisibilidade da orientação sexual lésbica, que se dá de forma sutil com perguntas como “Você nunca sentiu desejo por um homem?”, que evidenciam a descrença de que mulheres não pode se envolver romântica e sexualmente exclusivamente com outras mulheres. FALA LÉSBICA A saúde da mulher lésbica também é afetada por conta do preconceito. Elas encontram dificuldade em encontrar profissionais e serviços capacitados para atendê-las. Além disso, áreas ligadas a saúde da mulher, como a ginecologia, por exemplo, tendem a levar em conta apenas relações heterossexuais. Esse grupo também fica de fora de políticas públicas específicas para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e do vírus HIV, devido a existência do senso comum de que lésbicas estariam imunes por, supostamente, praticarem sexo sem penetração. FALA LÉSBICA A invisibilidade lésbica se depara com sua face mais triste e preocupante no estupro corretivo. A prática é fruto da ideia de que uma mulher pode mudar sua orientação sexual caso mantenha relações com um homem. Frases como “Ela ainda não saiu com o cara certo” e “Precisa aprender a gostar de homem” alimentam o discurso que legitima os estupros corretivos. A Liga Brasileira de Lésbicas estima que cerca de 6% das vítimas de estupro que procuraram o Disque 100 do governo federal, durante o ano de 2012, eram mulheres lésbicas. Deste montante, inúmeras queixas estavam relacionadas com a prática do estupro corretivo. O mesmo sentimento de invisibilidade acompanha as pessoas bissexuais, que apesar de constarem na sigla LGBT, ainda enfrentam o preconceito do meio. “Ou você gosta disso, ou daquilo” é uma sentença recorrente ouvida por quem se identifica como bissexual. A noção de que você pode apenas se relacionar amorosamente, romanticamente e sexualmente com apenas um gênero, nega as possibilidades de descobertas da sexualidade humana. FALA BISSEXUAL Outro grupo que sofre com a exigência de um posicionamento fixo são as pessoas que se identificam como gênero fluído. Elas flutuam entre os gêneros masculino e feminino, questionando a própria construção binária da sociedade. Caitlyn Jenner e Laverne Cox são mulheres transexuais que apesar de enfrentarem o preconceito e a intolerância por se identificarem dessa maneira, se mantém ligadas ao binarismo de gênero. Diferentes delas, as pessoas as pessoas não binárias não se identificam como homem e nem como mulher. Estes sujeitos podem estar entre os sexos, além deles ou serem uma combinação de gêneros. Muitos não-binários preferem se identificar também como transgêneros, reforçando a ideia de questionamento dos padrões de gênero. FALA NÃO BINÁRIO Há ainda quem não se identifique com nenhum gênero. As pessoas agêneras não possuem qualquer gênero, o que as torna não-binárias. Elas preferem se identificar como indivíduos e negam a existência de identidades de gênero. As capas de revista da Time e Vanity Fair com mulheres transexuais são exemplos grandiosos e, por enquanto, esporádicos de uma nova era de pensamento. A velocidade da informação e a disponibilidade de múltiplas fontes para consultas permitem a disseminação de conceitos menos duros acerca das identidades de gênero. Apesar das dificuldades e antagonismos internos, o movimento LGBT no Brasil, e no mundo, tem se esforçado para eliminar as violências simbólicas e físicas sofridas por essa parcela da população. FALA ALGUÉM ASSOCIAÇÃO Em maio desse ano, a Irlanda aprovou em referendo o casamento gay com 62% dos votos. Por aqui, a luta pelo fim dos preconceitos contra as orientações sexuais e as expressões de gênero ganhou visibilidade durante a corrida presidencial do ano passado. Os candidatos apressaram-se em demonstrar apoio às causas LGBT e incluíram em seus planos de governo o combate a homofobia e a educação inclusiva como principais pautas dos direitos sociais. As polêmicas, porém, não tardaram a aparecer. Marina Silva, pressionada por líderes religiosos, voltou atrás após declarar apoio ao casamento gay e à criminalização da homofobia. O episódio gerou revolta e abalou a credibilidade da acreana. Levy Fidelix causou um mal estar geral quando, durante um dos debates presidenciais, emitiu sua célebre frase “aparelho excretor não reproduz” ao se posicionar contra as uniões homossexuais uma vez que elas, supostamente, não culminariam com filhos. As declarações homofóbicas de Levy foram levadas para o Tribunal Superior Eleitoral, TSE, pela Ordem dos Advogados do Brasil, OAB, juntamente com um pedido de cassação da candidatura. Foi no meio desses escândalos entre os presidenciáveis que a também candidata Luciana Genro, que concorria ao cargo pelo Psol, falou em combater a transfobia pela primeira vez no horário nobre da televisão brasileira. Outra prova de que mesmo a contragosto de muitos, novos tempos virão. Ainda serão necessárias muitas capas de revista como as de Caitlyn e Laverne para que todas as pessoas de orientações sexuais minoritárias e de diferentes manifestações de identidades de gênero possam viver plenamente e com dignidade, mas a entrevista recente concedida pela atriz transexual, Jamie Clayton à apresentadora também transexual, Janet Mock, deixa claro que algo está mudando e reforça o lembrete: representatividade importa.

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